Disfunção do Pars Intermedia da Pituitária

A Disfunção do Pars Intermedia da Pituitária (D.P.I.P.) também é conhecida como Síndrome de Cushing, hiperadrenocorticismo e hiperadrenocorticomos pituitária dependente. É reconhecida por pesquisadores como principal endocrinopatia geriátrica dos equinos. 

D.P.I.P. é uma doença neurodegenerativa caracterizada pela diminuição dos neurotransmissores da dopamina, ocasionando a proliferação das células melanotrópicas e consequentemente o aumento na produção do propiomelanocortina (POMC). Este aumento do POMC resulta na hipertrofia e hiperplasia do pars intermedia da pituitária.

Os animais com D.P.I.P. podem apresentar uma sensibilidade normal à insulina, o que representa um baixo risco de ocorrência de laminite ou podem apresentar uma resistência crônica à insulina, representando um alto risco para ocorrência de laminite. 

Os sinais clínicos da D.P.I.P. são: hirsutismo, laminite, mudança no estado corporal (diminuição da massa muscular esquelética, adipose localizada), poliúria, polidipsia, infecção crônica, atraso no processo de cicatrização, letargia, infertilidade, hiperhidrose, convulsão/ataxia e lactação. Vale ressaltar que o animal com D.P.I.P. pode apresentar apenas um ou alguns dos sinais clínicos. 

Existem diversos testes laboratoriais que são utilizados no auxílio ao diagnóstico da D.P.I.P., sendo que não existe até o presente momento nenhum teste com 100% de eficácia para o diagnóstico. Os dois testes mais utilizados são o teste de supressão pela dexametasona e o teste do ritmo circadiano.

Teste de supressão pela dexametasona:
1. Coletar primeira amostra sanguínea no período da tarde;
2. Administrar 40 μg de dexametasona/kg IM;
3. Coletar segunda amostra sanguínea 19h após a dexametasona. Dosar cortisol nas 2 amostras sanguíneas.

Teste do ritmo circadiano:
1. O animal deverá estar em jejum de concentrado por período mínimo de 4 horas para a coleta da primeira amostra sanguínea, devendo permanecer em jejum de concentrado até a coleta da segunda amostra;
2. Coletar a primeira amostra sanguínea no período da manhã. Dosar T
4 total, cortisol e insulina na primeira amostra sanguínea;
3. Coletar a segunda amostra 8 a 10 horas após a coleta da primeira amostra. Dosar cortisol e insulina na segunda amostra sanguínea.

Ritmo circadiano + Supressão pela dexametasona (protocolo sugerido por B.E.T. Laboratories) :
1. O animal deverá estar em jejum de concentrado por período mínimo de 4h para a coleta da primeira amostra sanguínea, devendo permanecer em jejum de concentrado até a coleta da segunda amostra;
2. Coletar a primeira amostra sanguínea no período da manhã. Dosar T
4 total, cortisol e insulina na primeira amostra sanguínea;
3. Coletar a segunda amostra sanguínea 8 a 10 horas após a coleta da primeira amostra. Dosar cortisol e insulina na segunda amostra sanguínea;
4. Administrar 40 μg de dexametasona/kg IM;
5. Coletar a terceira amostra sanguínea 19h após a dexametasona. Dosar cortisol na terceira amostra sanguínea.

Texto extraído em parte de “McFarlane, D. 201, Vet.Clin. Equine 27 (2011), 93-113
e “Frank, N. et al 2010 - Guide to Insulin Resistance & Laminitis for Equine Practitioners”.